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A nómada gulosa

Um blog de crónicas viajeiras e com tendências epicuristas

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Eu já te dou o arroz!

No caso é Henrique Mouro que nos dá o arroz e este último é o cereal que domina a carta do Bagos. Há algum tempo que não tínhamos a oportunidade de reencontrar a mão e o tempero deste chef, que deixou boas memórias a quem frequentou o Assinatura.

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O recentissímo projecto parece-me diverso daquele que criou em 2010, sem menú de degustação e centrado numa matéria-prima, in casu, o arroz. Este cereal tão importante em terras do Oriente viajou para outras paragens e enraizou-se por terras lusas e nas nossas mesas.

Basta percorrer o índice da bíblia portuguesa do nosso património culinário português que é a Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto, para testemunhar que o arroz está presente no receituário português de norte a sul. Por conseguinte, parece haver espaço a uma carta monotemática, digamos assim, sem que seja necessariamente enfadonha. 

A criatividade do Bagos é servida numa sala que se espraia em dois níveis e que acomoda uma trintena de lugares, decorada singelamente em tons de branco e preto.

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E na minha estreia no Bagos fui recebida com um filete de sardinha, numa espuma caldosa e fofa de tomate com sabor de caldeirada e ligeiramente cítrico no final, uma cortesia do chefe. 

Para começar, as propostas passam pelo aveludado de galinha com amêndoas torradas ou os fios com legumes e camarão, coentros e saté. Como pratos principais, cinco propostas com peixe e quatro com carne. Do capítulo peixes, destaque para o malandro com berbigão, nabiças e bacalhau (a opção escolhida) e de lingueirão com limão e açafrão das índias. Do domínio carnívoro, realce para o arroz de cabidela com uma pedra cheia de farinheira, assim como com vazia de maronsesa numa espécie de bitoque. No capítulo das sobremesas, a base passa pelo arroz doce, na sua vertente clássica e tradicional (com canela), mas também num soufflé com framboesas e menta. 

A opção escolhida apresentou-se com o grão cozido no ponto, envolto no liquído onde os berbigões abriram e na nabiça cortada. No topo, uma generosa e macia posta de bacalhau. A nabiça conferiu textura e não era ácida, apresentando-se o caldo com um sabor equilibrado. Por sua vez, o soufflé, com a combinação da canela e frutos vermelhos, estava fofo e saboroso.

http://www.bagoschiado.com/