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A nómada gulosa

Um blog de crónicas viajeiras e com tendências epicuristas

A nómada gulosa

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Uma lebre na Beira Interior

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«Apostemos», disse à lebre

A tartaruga matreira,

«Que eu chego primeiro ao alvo

Do que tu, que és tão ligeira!»

 

Dado o sinal da partida,

Estando as duas a par,

A tartaruga começa

Lentamente a caminhar.

 

A lebre tendo vergonha

De correr diante dela,

Tratando uma tal vitória

De peta ou de bagatela,

 

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Deita-se, e dorme o seu pouco;

Ergue-se, e põe-se a observar

De que parte corre o vento,

E depois entra a pastar;

 

Eis deita uma vista de olhos

Sobre a caminhante sorna,

Inda a vê longe da meta,

E a pastar de novo torna.

 

Olha; e depois que a vê perto,

Começa a sua carreira;

Mas então apressa os passos

A tartaruga matreira.

 

À meta chega primeiro,

Apanha o prémio apressada,

Pregando à lebre vencida

Uma grande surriada.

 

Não basta só haver posses

Para obter o que intentamos;

É preciso pôr-lhe os meios,

Quando não, atrás ficamos.

 

O contendor não desprezes

Por fraco, se te investir;

Porque um anão acordado

Mata um gigante a dormir.

 

(trad. Curvo Semedo)